Banda de hardcore CLBC lança ábum de estreia e faz show no Dark Cave (Cassino) neste sábado (31)

Publicado em 27/10/2026 por Homero Pivotto Jr.
Banda de hardcore CLBC lança ábum de estreia e faz show no Dark Cave (Cassino) neste sábado (31)

A banda de hardcore CLBC lançou seu álbum de estreia, “MPB” (Música Podre e Barulhenta), sem selo, sem assessoria de imprensa e sem verba de divulgação. Pouco mais de um mês depois, o disco já soma mais de 3 mil plays nas plataformas de streaming, um resultado expressivo para um lançamento erguido inteiramente dentro da cena independente da cidade de Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul. Na esteira do lançamento, o quarteto faz show neste sábado (31), no Dark Cave (Beira-Mar, 666), junto com a Transmissão Beta (POA).


A banda define o próprio som como “hardcore cassineiro”, um apelido que remete à vida no balneário Cassino. O termo resume bem a proposta do disco: usar a agressividade do hardcore contemporâneo como veículo para falar da vida numa cidade pequena de balneário, com as gírias, o humor e as urgências de quem mora ali.


“MPB é pra gente a culminação de tudo que a galera do hardcore underground construiu aqui na cidade. A gente queria um disco que tivesse a cara de todo mundo que apoiou a banda enquanto a gente gravava o álbum”, diz Gabriel Teixeira, guitarrista e vocalista da CLBC.


“E também mostrar que existe uma cena hardcore se formando no extremo sul. Pode parecer clichê, mas foi uma necessidade de fazer
barulho. As coisas andavam quietas demais por aqui. E também tínhamos, direto, essa vontade de colocar pra jogo toda a nossa energia num projeto que realmente saísse do papel”, completa Ygor Jardim, baixista e vocalista do grupo.


Todo o processo, da composição à distribuição, foi conduzido pela própria banda, sem apoio externo. O crescimento do disco segue essa mesma lógica: nenhuma campanha paga, apenas o boca a boca da cena hardcore gaúcha, sustentado por shows em espaços pequenos e lotados, adesivo passando de mão em mão e mosh pit rolando.


No campo sonoro, a CLBC se aproxima de referências como Knocked Loose, Turnstile e Budang, com riffs pesados e uma pegada de moshpit evidente. O que diferencia o disco é a
forma como as letras são construídas: em vez de temas abstratos, as músicas tratam de questões concretas do cotidiano da classe trabalhadora, como a dificuldade de comprar um carro usado dentro do orçamento ou o simples ato de beber uma com os amigos numa noite de verão em um balneário lotado.


Essa proposta fica evidente faixa a faixa. Em “MPB”, faixa que dá nome ao álbum, a letra cobra uma postura de quem apenas observa a degradação ao redor sem agir, e reforça que todo o processo criativo foi feito sem uso de inteligência artificial, um posicionamento que ganhou peso num momento em que a ferramenta se tornou comum até na produção musical independente.

“Meirelles”, batizada em referência a um bar e ponto de encontro conhecido da cidade, narra uma noite que funciona como escape temporário da rotina, antes de a segunda-feira de trabalho cobrar a conta novamente. A faixa capta bem a tensão entre o alívio momentâneo e o peso da vida cotidiana num balneário pequeno.

Já “Marketplace” usa humor ácido para retratar a busca por um carro usado dentro de um orçamento apertado: peças quebradas, financiamento inviável e juros bancários que pesam sobre quem já vive no limite. É a faixa mais bem-humorada do disco, mas também uma dasque expõe de forma mais direta o custo de vida da classe trabalhadora.

No conjunto, MPB retrata a vida de quem corre atrás do que quer num lugar árido, marcado pelo calor e pela rotina de trabalho de um balneário sem filtros. É pesado onde a proposta pede peso e irônico onde a própria realidade também é irônica, sem suavizar as dificuldades de quem vive e trabalha em Rio Grande.