Construir uma trajetória na música independente não é fácil. Pelo contrário. Entretanto, o tempo nos faz entender que as pedras no caminho podem ser usadas como alicerce para seguir adiante. Nesse contexto, Bodji disponibilza nas plataformas o álbum “Édifício Baby“.
Com sonoridade marcada pelas texturas e pela atmosfera do rock dos anos 1970, o álbum reúne o anfitrião à uma banda formada por velhos amigos e companheiros da estrada tortuosa do rock: Lucas Koteck nas guitarras (Bodji & Os Pegando Fogo / Cassino Royale), Jon Ykarus no baixo (Guardapós / El Gato Maior) e Beto Stone na bateria (Efervescentes / El Sonido).
Mais do que uma viagem nostálgica, o registro é uma homenagem à história do rock produzido no Rio Grande do Sul. O disco atravessa diferentes décadas e referências, misturando guitarras, melodias, sujeira, humor e uma certa melancolia urbana para construir um universo habitado por prédios, bares, personagens improváveis, lendas urbanas e corações partidos.
As canções de “Édifício Baby” encontram poesia no cotidiano das ruas e nas pequenas histórias que normalmente passam despercebidas. São crônicas de uma cidade imaginada e vivida entre balcões de bar, apartamentos, esquinas, noites intermináveis e memórias que insistem em permanecer.
O resultado é um álbum de rock feito por quem conhece suas raízes, mas não parece particularmente interessado em permanecer nelas.
Histórico
Vindo das profundezas de um underground esquecido, Bodji é um compositor mirim fracassado que, contra todas as probabilidades e apesar de todas as adversidades, continua na ativa. Conhecido por seu sarcasmo, suas melodias tortas e sua devoção ao rock’n’roll, Bodji construiu ao longo dos anos uma trajetória tão irregular quanto persistente.
No começo dos anos 2000, esteve à frente da controversa banda Bodji & Os Pegando Fogo, projeto que ajudou a estabelecer sua reputação como uma figura peculiar da cena independente. Desde então, entre gravações caseiras, experiências estéticas de procedência duvidosa e discos que desafiam os limites do bom gosto, Bodji vem construindo uma discografia essencialmente própria, atravessada por humor, experimentação e uma paixão inabalável pela canção pop e pelo rock.
Entre seus trabalhos anteriores estão o álbum “Mercúria“, de 2014, uma viagem pelo space rock; “Spectra“, de 2016, definido pelo próprio artista como uma espécie de “Eletro Poltergeist”; e o EP “O Olho do Cavalo“, de 2018, incursão pelo country rock.
Durante a pandemia, Bodji voltou ao estúdio para registrar “A Rua dos Crocodilos“, um disco sobre o apocalipse produzido por Frank Jorge. O trabalho contou ainda com participações de Gabriel Guedes (Pata de Elefante / Bandaliera), Alexandre Birck (Graforréia Xilarmônica / De Falla), King Jim (Garotos da Rua) e Luciano Leães, reunindo diferentes gerações e vertentes da música produzida no Rio Grande do Sul.
Texto editado com base em release enviado pelo artista.
