A banda tenhomedo lançou, em 13 de novembro, seu primeiro álbum intitulado “Quando Estamos Distantes”, composto por oito faixas, totalizando 28 minutos e 24 segundos. tenhomedo é Paulo H. Hatmann (voz e guitarra), João Lucas (baixo) e Nicolas Mollardi (voz e bateria). Gravação realizada por Lucas Hanke no Estúdio Marquise 51. Mix e master por Guilherme “Gordão Beats” Mallet. A capa é assinada pelo artista e baterista Nicolas Mollardi. A direção de arte do projeto é de autoria do guitarrista e vocalista da banda Paulo H. Hartmann. Já a produção executiva do projeto é assinada por Luiz Paulo Zanovello e Wender Zanon. Em setembro, o grupo lançou seu primeiro single, intitulado “Vcndnd”, que acompanha um clipe. O primeiro álbum da banda é financiado através dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Com composições em português, a tenhomedo surgiu em abril de 2023 na cidade de Cachoeirinha/RS e através do seu som explora as lutas internas e as crises existenciais que emergem em uma sociedade cada vez mais individualista e desconectada. Para escutar: https://ditto.fm/quandoestamosdistantes e para acompanhar o trabalho da banda nas redes sociais: www.instagram.com/tenhomedo.mp3/ .
As músicas apresentadas exploram temas de autoconhecimento, frustração emocional, relacionamentos falhos e angústia existencial. O álbum parece ser uma jornada introspectiva do narrador, que enfrenta dúvidas sobre si mesmo, questiona suas escolhas e lida com a repetição de erros e desilusões. A busca por algo melhor, a reflexão sobre as perdas e a constante busca por sentido são sentimentos predominantes. Ao longo das faixas, é possível notar um tom de resignação e cansaço emocional, com o narrador enfrentando seus próprios medos, frustrações e a realidade de um mundo que parece desmoronar. A repetição de erros e a sensação de que “não foi dessa vez” permeiam o álbum, transmitindo uma sensação de cansaço com a constante busca por algo que pareça impossível de alcançar. No entanto, em várias músicas, há também uma tentativa de se reerguer, mesmo que isso seja difícil e marcado por uma sensação de impotência diante do destino.
O tom de angústia nas faixas é equilibrado com momentos de introspecção e autocrítica, onde o narrador reflete sobre o que aprendeu, ou pelo menos sobre o que deveria ter aprendido com os erros cometidos. Essa atmosfera cria uma conexão emocional intensa com o ouvinte, que pode se reconhecer na luta por mudanças e na reflexão sobre as próprias falhas. Em conjunto, o álbum é uma jornada de autoconhecimento, onde o confronto com a dor e os erros do passado se misturam com uma busca contínua por um futuro melhor. É uma obra de resiliência e aceitação, onde a ideia de seguir em frente é essencial, apesar das dificuldades e incertezas da vida.
Arte da capa
A capa, uma pintura a óleo feita pelo baterista e artista visual, Nicolas Mollardi, captura perfeitamente a essência desse conceito. Nela, vemos a cidade de Porto Alegre, um símbolo da migração inevitável que muitos enfrentam em busca de oportunidades em grandes centros urbanos. Mesmo morando em cidades próximas, como Cachoeirinha, existe uma grande necessidade de sair da cidade para existir como artista. Na arte, o protagonista, refletido em um espelho descartado ao lado de uma lixeira, nos confronta com a realidade de que, muitas vezes, perdemos a oportunidade de olhar para dentro de nós mesmos, absorvidos por uma rotina frenética e alienante.
Esse reflexo no espelho é uma metáfora poderosa para o estado de desconexão que sentimos quando permitimos que a pressão da vida moderna nos afaste de nossas emoções mais profundas. Ao longo das faixas de “Quando Estamos Distantes”, o álbum faz um apelo claro: em meio à confusão e ao concreto, é essencial desacelerar, refletir e não perder de vista aquilo que realmente importa – nossas relações, nossa essência e o sentido que construímos em meio ao caos.
Projeto cultural
O projeto financiado com recursos da Lei Aldir Blanc conta com diversas ações complementares, como o lançamento de uma live session de quatro músicas do álbum, com legendas para acessibilidade e um show gratuito em Cachoeirinha, em data a confirmar. O público também poderá conhecer um pouco mais do trabalho através de um zine digital e físico, que incluirá uma versão com audiodescrição, além de um documentário produzido de maneira independente durante o processo de gravação das faixas. O projeto conta também com uma série de contrapartidas sociais e educativas, incluindo uma oficina de colagem, ministrada pelo baterista, Nicolas Mollardi e um workshop online tocando as oito músicas do álbum no baixo, guitarra e bateria.
